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Velas do Céu

Entre a angústia que me toma,
toma também o dissabor, a fartura
do medo e a premente aba de frio
que jorra
pela taça de cristal
batido por severas
ansiedades e cruéis
sensaborias
de grandes feituras.

O fruto magro e augusto,
mais tortos,
luminoso feito avenida,
se foi entre as quatro
paredes do mundo,
 e se tornou
vítima dos mortos.

Adeus, fui dar.

Voltei, com nódoas de medo.
Não sou guerreiro salsaciano,
nem membro das hordas dos boléus!

Me medro e me recolho nos
trapos de memória,
onde ninguém tem nome e
desconhece para onde vão os
sobreviventes da morte.

Não me perco de esperanças:
lá,isso me feria,
quatro horas, não é hora,
é momento da conturbada
visão de outrora,
quando nem morte existia.

Mas portas se dobram
e lá se vai mais um esquecido.

Se lembro? Lembro com dissabor
que se mistura com doce calor
que me avilta o corpo e abana
o medo que me jaz impuro
entre minha vida
e meu fim.

Quando chegar lá.
Abra a a porta
e somente diga:
somos todos crianças
agora,brincamos de mãos dadas
e aqui o sol nunca se põe,
nem a luz se vai.

É tudo veraz encanto.
E uma festa de comedidos.
É festa de Dom Fernando !

Minha amplidão faz a vez,
e lá vou eu de chapéu chamorra
com um litro de aguardente.

Porque se a hora é essa, estou
caminhando prá luz.
com a graça do vinho!

E que nada mais me
perguntem.
Eu não sei dar  respostas
divinas!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 15/07/2006
Código do texto: T194412
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel