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Velas de Consumo

Tenho paredes,
e salas
tenho portas
e janelas.

Mas não tenho casa.

Tenho a mim - e já basta -
mas sinto me perder,
na imensidão que me
descobri:um campo aberto
de flores silvestres,
uma paisagem de cor,
uma montanha
e um sol.

Me sinto a perder,
o sentimento se esvai,
escorre como água
de chuva.

Pouco a pouco vai sumindo
e vou junto.
Igual a uva
escorrida.

Junto para os pares
da vida:
aqueles que juntam pedras
e nunca constóem nada.

Fui um deles.
Obreiro do nada.
Cheio de encantos
e guerreiro de duas pontas.

Hoje sou corrente passada,
água feita para escorrer,
riacho que não tem fim,
rio sem saída.

Tenho um par de botas,
um clarim,
um jazz inacabado,
e uma mulher,
que se leva milhas
prá chegar até ela!

É tão distante
como daqui ao infinito.
Mas o infinito não tem portas,
só sobras!

E lá só me cobram.
Bem bastante.

Mas que culpa tenho
se há amores
e poucos amores
e amores nenhum?

Foi em amores nenhum
que tentei construir minha casa.

Bem frágil!
Igual a bambu quebradiço,
igual a colmo rosado de perdas,
igual a beijo
mais ágil.

Hoje nada tenho.

Mas que minto!

Tenho pés de lenha
e um sonho
remido!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 16/07/2006
Código do texto: T195127
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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