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Amedronta

Vim andando pela calçada,
com esquina enviezada e
com
de três saídas.

No alto, soberbo,
andares de três
pontas, e um patamar
enluarado.

Bulicei e acariciei um sonho,
que , na história,
tem vestido de mulher,
mexidos trejeitos,
rendas e outros azulões
bem próprios para
a época:
fresca e dolorosa.

E parei
no contra-tempo
de mim mesmo.
Não havia saídas
nem érgulas escadas.

Estava preso dentro
de um sonho-vivo,
onde as pontas -
do início ao fim -
se chocam em agonia
e tenaz solidão.

Era um sonho de 1800
quando havia ainda
bondes
e impiedosas galochas,
e fotogênicos bonés
de crianças;
vivia um sonho do
tamanho do tempo,
de imensidão e de dor.

Estava vivo para
nascer.
Estava pronto para
chegar.

E naquela época
nascia-se em
qualquer lugar,
até dentro de um
sonho belo.

E meu lugar escolhido
foi a relva da madrugada,
foi um colo sem mãe
e, um pai embrião,
de duas vidas
e vinte copos.

Foi assim que cheguei.
Foi assim que chorei.
José Kappel
Enviado por José Kappel em 16/07/2006
Código do texto: T195130
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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