Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Lá em Mardim

Límpida igual ao céu de sereno,
vaga holocausta pelas ruas da vida.
Se te alcançam é sempre para medir
o espaço onde te vagueiam dores terrenas.

Não posso ser mais,
pois a calmaria do tempo me abateu,
Não posso mais ser sua vida,
nem conquistar a paz,
Dores de mim, que te perdeu!

Espaceja teu véu de cristal
e mortalha de dor a minha vida.
Ajoelho em seu pedestal
E meço desespero espacejado
na sua ida.

Se partiu, partiu num dia de festa,
E quando quero saber, tudo cresta!
Afinal se vou para o leste
- Texas - afinal !- lá não é minha festa!


Se a festa da rudeza terminou,
fausto, me enganalei com sua beleza.
Foi por acidente do destino de louros,
foi por decurso do tempo da realeza.

Me perdi entre suas ânsias de querer,
e muito mais querer:
Me assentei no vão de pedras ocas
e pensei, sussurando,em 15 anos alentados:
que mulher é essa, de nascida coroada,
virou piedade nos meus cantos,
e me cobriu de ouro com pano,
mantado de amor e sofrimento.

Tal qual não existe!Sempre querida!
E se um dia existiu foi conto de fadas.
Foi uma página rasgada no meio
de minha vida !

O largo que me enlarga,
o puxo que me carrega,
o vago que me banha
de pó largado,vazio,
sem crespas,só arranha para
dar dó.

Figura simplória,
talvez vulgar,
mas em qualquer lugar,
me digam,
prá onde foi prá tal morar
a mulher de nome Maria?

Foi também subjugar
meu antro masculino!

Foi com outro homem
nadar seu amor
no pó do ouro.

Sem chances!
Conseguiu criar a dor:
um destino impróprio,
mas singular de um homem
que agora vive sem cor,
um pedacinho, cada dia !

II


Distância amarga esta
que se diz
caminho de dois,
mas roça destemperança
ao pedir
que o vago que acresce,
se torne obreiro de
juntar minha esperança com
seu amor.

Distância de tempo
separa nós dois
sem que ao menos
saibamos quem somos
nós dois !

Distância vesga
que me leva ao breu
e me torvelinha a testa,
porque sem você eu
sou menos eu,
menos lírios de cor,
menos passagem pela
vida que não me guarnece

Moinho que assola
o vento,que
reduz a paisagem
ao pó nesgo,
tremeado de raios
de sol: uma pura aragem
do tempo que condiz e só
quer passagem.

Viro rotina da horas
ao pé do vale incauto;
viro empezinhos
de cravos, e lauto
me pergunto:
se você foi feita
prá ser marfim de rosas,
sem espinhos,
o que me resta senão
cantar o canto, sem qualquer perdão,
que me embrenha toda hora,
por sem trilhas, todos estes caminhos
sem nós dois?
José Kappel
Enviado por José Kappel em 17/07/2006
Código do texto: T195620
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
2147 textos (26783 leituras)
1 e-livros (125 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 00:38)
José Kappel