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SANDÁLIAS DO PESCADOR

Com os pés que escalo caminhei caminhos,
Com as mãos que ouso compus doces hinos,
Com os olhos dados enxerguei destinos,
Com os lábios secos murmurei peixes,
Com os ouvidos quietos ouvi..."Não me deixes..."

Sacoleje o mar e vais ouvir peixes caindo d´água,
Merecendo atenção a tainha cheia de mágoas
Pelo velho tambiú, chorado, sentido,
Ao perder um amigo,
Um velho jaú...

Balance um pouco mais e ouvirás a sardinha,
Chorosa ainda, pelos saudosos namorados,
De frente ao seu remanso, todos pescados,
Ainda quando era manso o rio que ensina
Truques de escape à suas velhas curvinas.

Cole o mar ao mar o que a terra busca,
Cole o ensinamento no ouvido que escuta
A criança riacho derramar seu chorar
Em braços antigos de um eterno sonhar...

Calem os anzóis que solfejam mergulhos
Querendo sinfônicos ninhos de arraias...
Em paz deixem cá alevinos miúdos...
No mar não se guarda humanos entulhos,
Nem busca o mergulhador velhas catraias...
Netuno entregou o seu mar à um mar mais profundo
Que no remanso da costa entrega suas postas
Marinhas e suas tortas espinhas à quem
No oceano encontra um novo mundo,
Dormindo em cama de algas
E lençóis de praias...




Preto Moreno

 








Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 17/07/2006
Reeditado em 17/07/2006
Código do texto: T196038

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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