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A BOCA QUE ME BEIJA

Beija-me uma boca
que não é mais a tua.
E o que ela tem demais
é exatamente a verdade nua
é ser uma boca que não é mais
a tua.
Não me beija cheia de dentes,
nem me engole faminta,
enrosca a língua, lenta serpente,
encosta e foge, deixa à míngua
e volta ao ataque, incandescente.
Não é gana, nem fome de rua,
não é uma coisa assim crua,
vai se fazendo de pouca,
e simplesmente, não é...
ela apenas não é mais a tua.
Não me assusta, não se apossa,
não me custa, não me usa,
faz ligeiro charme,
tem uma certa bossa,
uma vontade assim, de lua.
Mas o que de fato, é fato,
é sabido, sentido, é tato,
simples, nua e crua:
a boca que me beija,
se existe ou imagino,
simplesmente não é mais
a tua.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 17/07/2006
Código do texto: T196207

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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