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de onde vivo não vejo as estrelas



 

 

de onde vivo não vejo as estrelas

não há zumbidos de abelhas

nem grilos contentes? à noite

nem os cães exageram nos latidos afastando a solidão

nem sequer eléctricos arrastando o tempo das cidades

nem pregões de outros tempos lembrando a proximidade das fontes das coisas que nascem ou se erguem

que nadam ou que pastam

nem há cortinas de nylon  amarelas nas janelas pintadas de verde

também não há silêncio

nem vizinhos (quem é aquele que nunca cumprimenta?)

 

já não preciso nada disso...

habituei-me ao vácuo metereológico de um ambiente assim

aqui nada muda

a não ser  de tempos a tempos o vácuo ficar prenhe e depois gerar mais vácuo a que me habituo rápidamente

 

se olhar pela janela (o que nunca se deve fazer...)

vejo os outros igualmente habituados a esta toada vazia

sem pressas

                     alongando o vazio nas suas preces que tecem nos acenos aos outros que nunca fazem

 

 

e que interessa os outros?

que interessa eu?

que interessa as estrelas que não vejo do lugar onde vivo

 

 

não há casas,

não há jardins

não há grilos

nem zoos

 

só uma recta distante

um poema belo que brota horrível da minha boca

 

 

 

e só resta este lugar danado:

 

a solidão!

Constantino Mendes Alves
Enviado por Constantino Mendes Alves em 18/07/2006
Código do texto: T196349
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Sobre o autor
Constantino Mendes Alves
Portugal
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