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LIMPEZAS


Não nasci mesmo pra isto
Já me sinto toda partida,
Eu bem quero, e insisto
Tenho que me fazer à vida.

l
Isto até me custa a crer
Espero que tudo ainda passe
Cada um é para o que nasce
Sempre assim ouvi dizer
Há coisas que não sei fazer
Mas mesmo mal sempre insisto
Dói-me tudo é mais que visto
Não me escapa nem um osso
Mesmo que eu queira não posso
Não nasci mesmo pra isto.

ll
Dói demais fazer limpeza
Isto não estou habituada
Até me sinto envergonhada
Mas podem ter a certeza
Que falo com franqueza
Fico sempre toda dorida
E se alguém aqui duvida
Devia estar no meu lugar
É como lhes estou a contar
Já me sinto toda partida.

lll
Eu nasci para ser doutora
Mas não me mandaram estudar
Puseram-me logo a trabalhar
Mas sempre fui uma lutadora
Até na primária a professora
Dizia que igual não tinha visto
Hoje, para aqui estou nisto
Talvez já seja da idade
Pois com muita dificuldade
Eu bem quero, e insisto.

lV
De profissão sou costureira
Mas fiquei sem trabalhar
Meu patrão resolveu fechar
A empresa, que grande asneira
Fiquei assim desta maneira
Sem trabalho e comovida
E sem a etapa cumprida
Por muito que me custe crer
Agora para sobreviver
Tenho que me fazer a vida.


Maria Custódia Pereira
09-06-2005
Biazocas
Enviado por Biazocas em 18/07/2006
Reeditado em 24/01/2012
Código do texto: T196370
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Sobre a autora
Biazocas
Portugal, 65 anos
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