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Prumo da Manhã

O amargo sabor
que pende
indecisa nos critais
da vida
tornam esta variante
de desejos inconformados
e realizações sem fruto
razoáveis.

Ganhar é de feitura dos
poderosos;
perder é gasto
dos solitários.

O que mais me dói
nesta vida
é ver ao largo
de um porto sem cais
minha presença ressentida
sendo rebatida a beira-mar.

Por isso espero
- sei que é em vão -
sua chegada
em algum lugar de minha vida.

E por isso aguardo, igual a
uma criança,
balas e sorveteiros
vindos de outro mundo
que não é o meu -
você chegar num sábado
de verão
e torná-lo manhã de primavera.

II


Meus anjos me despertam evocando amores e me sonolentam fazendo deles apenas
sonhos.

Sou parte do vazio e da ânsia, da perca e dos desmemoriados. Os minutos se
atropelam em minha vida, como se um corcel alado, de vesgo branco, me corresse
o corpo com a estrepolia de sua força.

Se falo, falo por mim. Questão de gosto forçado. Meus vizinhos
já se mudaram para o gosto do mundo.

Não tenho mais esquinas.

Sou amparo e discórdia.
Se falo, não discordo.
Se frequento, ouso apenas sonhar com uma vida que não seja a minha.

Sou relapso, mas não sou esquecido, sou bravo até onde a coragem me
transforma em medo.

Sou guerreiro de duas cordas e uma mochila, de calcinete branco e um groge de
metal acizentado.

Hoje, tão sozinho e devedor, penso nas minhas faltas e as descubro no
cordel dos homens passageiros e incógnitos.

Se sou assim, Ave! Sou perca sem volta.

O Céu de Nós Dois - José Kappel - (12/7/2001 09:08:42)
Sei,
um lastro de luz
bordeia seus olhos
marejados de
amor sem fim,
de inícios inesperados,
de fins ocasionais.

Se vamos, não sei,
não sei nem perguntar
o caminho de ida,
a trilha de volta.

Sei que é toda iluminada
pelo seu corpo,
pelos seus olhos infinitos,
pela luz braveja que
deponta toda manhã no horizonte de nós dois.

Se vamos, não sei,
se me calo é por medo,
medo que jamais me deixa
conquistar américas.
Se não conquisto, perco.

E a perda é de nós dois,
pois ainda sei que somos um.
Um prá ficar, outro prá ir.
Mas sempre juntos.
De alma, de coração -
devaneios dos incautos -
tenho seu corpo em figurino
de ouro e cravejado de luzes
que polupam do céu para você.

Mas em toda história
que começa,
esta não vai terminar,
como parada final
de bondes.

Esta vai longe.
Dai me calo.
Dai me sofro.
Dai tenho que dizer.
Mas demais tenho que ouvir.

E, no beijo final,
assim, combinamos,
um dia estaremos juntos
no céu de nós dois.
José Kappel
Enviado por José Kappel em 19/07/2006
Código do texto: T197170
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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