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Tempo Dela

Coisas da alma,
sobretudo dos espíritos,
meia-água de perdão,
que invade agora
nossa solidão.

Estar junto já
vale pouca coisa;
é como beber
um vinho doce
e, no fim, se perder
no aguardente.

Não foi por mal,
nem por vaidade,
foi a engrenagem da vida:
uma hora prá frente,
outrá prá trás;
sem maldade
apenas ela
tinha piedade.

A gente vê as coisas
cairem lentas,
como um dia sombrero que
se esvai,
como as pétalas amaciadas
das figueiras se deixam
e se partem ao vento.

A gente vê isso o dia
inteiro, é certo,
mas quando a gente
se vê dentro de
uma história de amor,
é outro capítulo
prá ver de frente.

Ai dói mais,
É uma lança de
duas pontas,
tão arfado como um raio
de sol.

Você sente e
os outros pensam
que não.

Mas está ali:
é uma classe especial
prá fugir da gente
como um raio
que bate de repente!

Não mais importa.
 
Se perdi, perdi dobrado
e, ela, se ganhou,
fingiu ser gloriosa,
correu do sim
e se agasalhou no não.

José Kappel
Enviado por José Kappel em 20/07/2006
Código do texto: T197897
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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