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Tempo de Passar

Sou filho passageiro
e cheio de antônios,
cruzo as avenidas
iluminadas,
atravesso palmo a palmo as
ruas cativadas e afônicas.

Fui procurar onde
estava tal cidade.

Diziam que estava lá.
 
Mas qual! Dela nada mais existia
do que mais dois cemitérios,
uma igreja nova,
um colhedor de uvas
e um arguto provador de vinhos.

Tudo havia mudado.
Até as datas resolveram
ter regado,
com novas faces
e barris relevados.

É fácil não dizer
mas provo o sabor do vento
e as argamassas de antigos paredões,
me solavaquei de anciãos
todos com história prá contar
e outras prá chorar.

E todos me disseram
que eu parti,
igual a um navio sem proa,
prá o adiante da vida,
só deixando prá trás
uma saia aveludada
que o tempo comeu.

Prá que ligar tanto para as horas?
Qual tempo!
Ele foi feito sem hordas!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 20/07/2006
Código do texto: T197903
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel