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Ânsia Por Demais

Ânsia,de várias vezes:
 
ânsia disso,
ânsia daquilo,
infindáveis ânsias
que mora a pouco metros
de mim.

Na casa ao lado,
na mansão do medo,
no espigão da frente,
na moradia dos incautos,
coberta por amianto,
no prédio dos comuns,
na fresta que se abre
e da luz
que não entra.
 
Ânsia sem cessar,
que não fica na porta
de ninguém
mais vive na minha, alentar.
 
Ânsia do meu mundo acabar
e eu com ele.
 
Se você já foi uma vez
tal ânsia,
sabe do que falo.

Aquilo que gargala o
estômago e medra
as mãos em suores
alados.
 
Se já foi ânsia,
você faz parte de mim,
de minhas coisas
e das coisas que não tenho.
 
E não tenho banho-maria,
nem corte marcial,
nem desfile infernal,
nem escadas prá subir
e mais outra prá descer.
 
Se você já foi ânsia,
sabe lá o que bem falo.
 
Falo do mundo que
cria amores e
depois trata de
matá-los.
 
E minha ânsia corre o mundo:
desde Angola até Portugalo,
corre atrás da paz perdida,
do sossego desavisado,
da agonia desatenta.

E nesta ânsia comum
há um fato banal
e corriqueiro:
só tem ânsias
aquele que perdeu,
ou está prestes a perder,
sua viola mágica,
seu maestro de vigor,
sua infância de circos
ou seu amor fácil.
 
Amor fácil demais,
mas cheio de ânsias!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 21/07/2006
Código do texto: T198699
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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