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ÉDIPO REI

Os dedos na borda do precipicio /
O salto / o medo / o grito /
Ò pequeno Édipo Rei /
Ò imenso fora-da-lei /
Chegaste à tempo para a esfinge
Que por dentro te tinge
De materna cor /
Teus olhos sem juizo arrancados por dentro e fora /
Rompeste o segredo da madrugada /
Tingiste a aurora /
A humana raça de ti precisava / ò desvirginador da dor /
Quem sabe do que te ocupas agora /
Insanas mensagens que a alma deflora /
Ò imenso Édipo Rei /
Ò pequeno fora-da-lei /
Teus filhos e filhas /
Unhas cravadas no dorso da ilha a que chegaste /
Andas por cadeias de montanhas de carne /
Trafegas por entre barracos e casebres /
Tens fome /
Tens febre /
Arde o peito esquecido e doído pelo amor ocupado /
Sabia quem da tragédia que não te anunciou?
Ò velho que ao morto reza o que devias em vida /
Quem te condena em cena / no palco /
Reduz em pouca monta tua mortal conta
Que pagarás eternamente /
Ò Imenso Édipo Rei /
Ò pequeno fora-da-lei /
Acoplado à fonte virginal /
Peça soldada ao material-vida /
Nem atômicos entendimentos te separarão /
Teu coração /
Peça única /
Geme e implora pela morte que demora.




Preto Moreno




 












Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 22/07/2006
Reeditado em 23/07/2006
Código do texto: T199490

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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