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SETEMBRO AINDA NÃO CHEGOU

Setembro ainda não chegou e já se vê
Que todos os territórios estão ocupados...
A primavera reduz sua campanha,
Não irá vencer os canhões,
O pão não vencerá a fome,
A água não vencerá o deserto...
Por certo um muro será erguido
Entre o perseguidor e o perseguido...
De um lado o corte,
Do outro o vidro,
Entre eles uma criança apara os cabelos com uma baioneta.
Elefantes suspensos em guindastes descem em chamas
Assustando ex-pacíficos moradores.
As tâmaras desejam a sorte dos mortos em combate.
Ergue, ao fundo, um menino uma bandeira,
Já não se vê o que está escrito,
Apenas a palavra grito escapa dos seus farrapos.
Vem, pequena chance, desce seus pés nesta terra,
Viola a guerra expulsando-a,
Doma o homem montado em seu cavalo branco,
De aço, inventa a trégua para os corações cansados,
Expulsa dos jornais o sangue que escorre
Por entre suas linhas de combate,
Recupera o sorriso petrificado...
Toma este lenço feito com fibras do meu coração,
Toma estas mãos feitas com arames de veludo,
Toma meu sagrado peito onde salta o desmedido,
Toma conta deste mundo que se coça
E não consegue arrancar suas tinhosas
Sanguessugas, seus destemidos vampiros...
Setembro ainda não chegou e já se vê
Que todos nós esperamos pela primavera.


Preto Moreno


 




Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 22/07/2006
Reeditado em 23/07/2006
Código do texto: T199502

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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