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Confissão

Amores na vida eu tive.
Amei; sofri; muitas vezes chorei.
Quem diria, um homem chora!
Respostas busquei para explicar o inexplicável;
Filósofos li; filósofo fui chamado.
Inevitavelmente cobriu-me a descrença;
O amor se transformou em ódio,
A paz em guerra, e a realidade, hum!
Realidade?
Coisas utópicas parecem reais.
Causas primeiras levaram-me aos primeiros princípios de moral.
Princípios fundamentais fizeram-me diferenciar o Ser do Não Ser.
Nenhuma causa ou principio porem, fez-me conhecer o coração humano.
Intelectuais?
Quis, um dia, ser intelectual.
Quis ser sábio, e em meio aos sábios vivi.
Sinto falta do português correto que um dia falei;
Saudades sinto das altas conversas nas rodas que freqüentei.
Em tão pouco tempo de vida, tantas coisas sonhei ser.
Jogador; nunca consegui jogar.
Cantor; quem me dera ter boa voz!
Ator; nunca consegui representar.
Com grandes honras sonhei,
Sonhos de adolescente seduzido pela imaginação.
Sabedoria!
Sou teu amante senhora minha.
Verdade!
Procuro-te incessantemente
Vida!
Não sei até quando combaterás a morte.
Morte!
Tens por tarefa fazer dos maus os bons,
Tudo levando para o esquecimento.
Esquecimento!
Nunca de ti sai; talvez nunca sairei.
Canções, fogos, teatros.
Nada me liberta desta obsessão pela busca da sabedoria.
Busco-a na vida, nos livros, em poesias.
Poesia, manifestação de meu EU, minha VIDA;
Vida manifestada nas idéias;
Idéias, formas extra-corpóreas;
Corpo, manifestação ilusória da matéria.
Pobre casca à semelhança de sepulcros caiados.
Podridão.
Tudo é podre; a vida, o homem, enfim, tudo.
Pobres aparências; utópicos perfumes.
Estranha forma de auto-enganar.
Morte, oh morte; quantas vezes te temi!
Quantas vezes chorei ao ver que de ti não se escapa!
Quantas vezes te busquei pra fugir do sofrimento!
Senhora negra, causa transformadora da matéria,
Manifestação clara da podridão humana.
Choca-me pensar em ti;
Dói ao pensar na lama, barro fétido, que um dia serei.
Quem diria!
Um franzino moleque do interior um dia foi grande;
Um dia começou questionou os “como e porquês”.
Eh, quem me dera se pudesse voltar o tempo!
Ah morte; se pudesse com certeza te evitaria.
Confesso, me rendo.
Serei sábio, intelectual;
Conhecerei a origem do universo.
De ti, porem, irmã, não poderei fugir.
Até nosso encontro; feliz vitória.
Pobre de mim que tão grande sonhei ser;
No entanto, barro é o meu fim.

BJ Duarte
Enviado por BJ Duarte em 23/07/2006
Reeditado em 23/07/2006
Código do texto: T200341
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
BJ Duarte
São Gabriel do Oeste - Mato Grosso do Sul - Brasil, 49 anos
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BJ Duarte