Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Ao morrer a busca encontrou


Hora de fechar os olhos
e descansar para sempre.
Merecido sono eterno
daqueles que viveram demais
com ânsias de vida e mais vida
e vida quero mais e cansaram-se
das fainas diárias
de um recanto de solidão.

Enfim, às véspera
de completar sessenta anos,
vivendo neste jardim,
esgotada e triste,
a ave deixa-se vencer pelo vazio
e pelo silêncio do dia
que o peso dos anos
sobre suas asas carregou.

Derrota! Luta inútil
a de tentar viver.
Já nem mais existe.
E as vozes que lhe falam
não se importam.
Nem uma lágrima vão derramar.

Alguém já disse que devia
mudar seu nome porque o seu
não era ideal para o canto de sua voz.
Ontem reclamaram seu sobrenome
que nem era seu, só tomou
do tempo do estimado da terra
que o nome de onde viera levou.

Se morrer ninguém vai ver.
Morre alguém que não existe.
Por isso, nem o sol
quis hoje aparecer.
Tempo de chuva, de trovoada
em todo seu sofrido ser.

É que é a hora,
grita o carrasco.
É a hora!!!
Mas que hora? geme a ave.
É a hora de morrer!!!

E agora para eternizá-la em solidão,
escreva na lápide o senhor do tempo:

Aqui jaz uma ave,
nascida e morrida
em sessenta anos
de busca interior
e ao morrer,
a busca encontrou.
 
Maria
Enviado por Maria em 25/07/2006
Reeditado em 25/07/2006
Código do texto: T201351
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Maria
Blumenau - Santa Catarina - Brasil
4550 textos (185925 leituras)
1 e-livros (103 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 17:01)
Maria

Site do Escritor