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Anoitecer

Que eu não viva e nem morra no crepúsculo...

Já diziam meus olhos cheios d’água
Que se recordam assim, tristonhos,
De um andar coxo que nunca para,
De um olhar morto que nunca apaga,
De uma vertigem doce que nunca acaba.

E eu pergunto às ciências dos homens:
O que é pior a esses incrédulos?
Saudade... elas respondem.

Ela vem e nos mata.
E quem de saudade nunca quis morrer?
Quem sente saudade sente...

Que eu não morra com saudade de ninguém...

Já queriam meus atos falhos de nada
Que se mostram quase certos
De um sentimento incorrigível,
De um vazio incompreensível,
De um querer inatingível.

E eu pergunto à filosofia de cabeceira:
O que é pior a esses profanos?
O amor não correspondido... ela sussurra.

Ele existe e persiste.
E quem nunca quis amar, mesmo sofrendo?
Quem não é correspondido responde...

Que eu não morra amando ninguém sem ser amada...

Já carimbavam meu corpo suas mãos sujas
Que se perpetuavam com o pó da estrada
De um parisiense sem ouro ou prazer,
De um paxá que não sabe convencer,
De uma efemeridade execrável de comover.

E eu pergunto ao bêbado ao lado
O que é pior a esses tiranos?
A presença do amor... ele chora.

Ela preenche e pede.
E quem nunca quis sacrificar-se por ela?
A presença dele é nossa ausência...

Que eu não tenha pena de mim mesma,
Pois aí está o limite da minha decência.
Maria Clara Dunck
Enviado por Maria Clara Dunck em 25/07/2006
Código do texto: T201539

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Sobre a autora
Maria Clara Dunck
Goiânia - Goiás - Brasil, 30 anos
73 textos (4623 leituras)
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Maria Clara Dunck