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VENTO

O vento novamente veio.
O mesmo do inverno ameno
Do ano passado.
Traz consigo a alma dos poetas
E uma inspiração sem dono
Nas flores, no mar, no tempo.
Inclusive nos pipas multicores que enfeitam o céu...

O vento veio
E não obedece as trilhas:
As veias cinzas da cidade humana.
Uma cata-vento brinca
Com seus infinitos dedos
E as antenas sustentam as crianças em cima das telhas.

Antes anunciava a sua vinda a poeira
Mas o campinho de futebol não existe mais:
Constroem prédios nos locais reservados à alegria.

E o vento da ilusão
Gira moinho, infla balão.
Promessa. Brisa circular.
Sopro voraz que atravessa as primaveras,
Destroncando árvores
E apagando velas.
Cavalo ainda selvagem,
Que balançando o fogo,
Faz dançar a sombra.
Passa correndo na janela,
Assovio que nos assombra...
Mago sutil que tudo vê!

Velho vento:
Metáfora diversa, suspiro original...
Vento cruel da saudade...
Vital complemento venerável da poesia.
Caco Nemer
Enviado por Caco Nemer em 28/05/2005
Código do texto: T20244
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Sobre o autor
Caco Nemer
São Paulo - São Paulo - Brasil, 48 anos
69 textos (5020 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 19:39)