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QUINDIM DE POVO

O Brasil é, penso, penso.
O acarajé é o fiel da balança.
O que desnivela é o tempêro baiano.
Toda fritura leva ACM na sua textura.
Os pasteleiros do sul reivindicam
Menos vento e mais carne,
O engrossamento da massa,
É claro, que se suba o preço.
Coloquei o mapa do Brasil numa bacia.
Devagar, depois depressa,
Como se uma carga de côcos pesasse na parte de cima,
Emborcou, fez bolhas, quase afundou.
O governo, sem pátria,
Tratou logo de vender terras alheias
À alheios estrangeiros,
Contrabalançou suas próprias economias,
À peso de ouro verde construiram vastas redes,
Se deitaram, gordos, com sede,
Beberam os caminhões-pipas,
Se entregaram à preguiça,
O país voltou  a navegar,
Sem rumo, rumo ao mar
Que o espera com suas feras.
E o povo, esse quindim delicioso,
No tabuleiro da baiana,
Molemente se entrega à sanha
Do turista curioso, acionista dessa gloriosa
Terra de piranhas, desceu goela abaixo,
Escutou o estalar da língua,
E, pelo esôfago da América, vive semi-morto,
No intestino ainda.
Viva o quindim,
Viva o povo,
Viva no jardim
A arara que bota ovo
E canta assim:

"Ouviram do Ipiranga às..."


Preto Moreno
 

Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 28/07/2006
Código do texto: T204107

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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