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REPARTIDO II

A dor, orquídea e perene, vem
da cidade em que nasci.
A cidade em que moro me salta a dor.
Lá eu tive todos os sapatos e botinas a calçar.
Cá, de chinelos e alma, faço poesia espaçada.

Aonde nasci, tenho uma sepultura a me comemorar.
Cá, a vida segue com vocábulos que me tiram o sangue.
Não sou daqui. Nem sou de lá.
Nem me sinto jogado à margem do rio.
Nunca serei este peixe.
Se a rima for, em mim, uma quimera solidão,
trago-me, então, como um feixe.

Sou mesmo um cidadão do mundo de dois quartos e sala.
Em sonhos de porão.


2006
Sítio de Poesia
www.alfredorossetti.com.br
ALFREDO ROSSETTI
Enviado por ALFREDO ROSSETTI em 29/07/2006
Código do texto: T204493
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Sobre o autor
ALFREDO ROSSETTI
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil, 65 anos
143 textos (2367 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 02/12/16 15:57)
ALFREDO ROSSETTI