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JOGO

Dou-te e dado está.
Sorte minha ou sua
Ou de quem jogar
O jogo da rua.

Uma arma por um lírio,
Uma bala pelo papel
Que enrola o frio
Sob o doce céu.

O tabuleiro e pronto o ato.
Cabeças rolam no vazio
E nem as aparam o prato
De ouro de fundo de rio.

Saia às ruas e conte prédios,
Imensos sacos de terra
E neles homens sérios
Entendem que o boi berra.

Vejo-te em saia escura e xadrez
Dominar os passos que a rua
Não tem mas a ti fez
Como presente de vaga lua.

O velho poste e a nova luz
Ainda presos no mesmo lugar
Ao tudo e ao nada conduz
O homem estanho que vai passar.

Se cada pedaço for uma bomba,
Que terra fingida é essa
Que finge ser corpo a sombra
Como um míssil que tem pressa?

O jogo em mesa e tabuleiro
Opõe a perda e o ganho
Como o aroma do dinheiro
Se opõe ao sutil cânhamo.

Explêndida noite tem sido
Como um mundo desligado,
Não fosse a estrela o ouvido
Aos sussurros do pecado.

Quase ao fim a mão estende
O movimento que checa o outro
E por chá-mate se compreende
A erva, a cuia, o logro.

A turba esvai-se em pessoas
Que tantas se multiplicam
Em objetos que ainda ressoam
E umas às outras se explicam.

Mais dispersa é essa voz
Que vem do fundo do poço
Como a fonte busca ao redor
O mar tão cinza e moço.



Preto Moreno
Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 30/07/2006
Reeditado em 30/07/2006
Código do texto: T205629

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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