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A Casa abandonada IX Já não se conseguem levantar




Já não se conseguem levantar,
Desde os 12 anos,
São coronéis, generais, alemães,
Fazem filhos até rebentar, pois, foi muito difícil,
Estava tudo muito escuro, 48 anos à vela.

Tinha que se deixar descendência, capitães, 25 de Abril.
Também era o meu pai, o meu avô, o meu irmão.

Mas foi uma festa tão precisa, parece que
Deus desta vez se comoveu.
Noutros sítios os verdes, noutros não condescendeu.

Levantar uma espinha quebrada, viciada, muito difícil,
Mesmo com o telemarquetingmedecina.
Foi canções, saídas à noite até às tantas,
Abortos, trocar o passo à Europa, tolerar a direita.
Muitos vícios, pudera não sabíamos mais.
Mas a espinha direita só agora em ritual.

Às vezes vou lá, perceber, o que me falta tanto
Para crescer,
Aquele ditadorzinho que eu era, pequenino,
A ambicionar tanta rectidão, a querer ser mais que o pão,
No sentido do ladrão.
Pois falemos noutras coisas, no papel de parede, na metáfora
Do navio, na viagem da morte de que não se sabe nada.
Seja como for, estou crescido, deixem-me respirar,
Esqueçam as ideias com teoria, de esquerda,direita,
Fiquem as autocríticas, o que de bom se pode tirar do forno,
Comer o assado com todos.

Tire-se o correio, o folheto, “Cure-se em terapia ocupacional”,
Mesmo para aqueles
Que já não se conseguem levantar.
Constantino Mendes Alves
Enviado por Constantino Mendes Alves em 31/07/2006
Código do texto: T205901
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Sobre o autor
Constantino Mendes Alves
Portugal
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Constantino Mendes Alves