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A Casa abandonada XIII Notícia




“Uma casa abandonada foi hoje a demolir,
Encontrava-se deserta, os seus ocupantes
foram de férias há já muito tempo para o pé do mar.

Encontraram-se drogas, seringas, bicas, garrafas de Whisky
E cigarros, muitos cigarros, cachimbos com bolor,
Numa secção da casa, estavam bonecas esventradas, com
Símbolos nazis nas paredes, havia também muitos soutiens queimados,
Cromos da bola e revistas pornográficas intactas.

Das janelas, viam-se árvores e muitos automóveis a passar.

Muitos intelectuais procuraram por um poema, outros entraram a cantar.

O especial do caso, é que se encontrou um cão lá dentro que sabia falar.
Em entrevista especial ao nosso repórter cultural: dizia que era um habitante antigo daquela casa abandonada, tudo o que era vício não era originalmente do lugar. Que havia ali uma família, muito feliz, muito certa e que era um lar.

Psicólogos clínicos analisaram este canídeo com testes indiciadores de grau alcoólico. Pediatras veterinários, descobriram que aquele animal era ainda muito jovem de um ano ou dois. O que era impossível, pelo testemunho do agente graduado da polícia local: as portas estavam hermeticamente fechadas há quarentas anos GMT universal. A polícia científica descobriu
tremuras no ladrar, o que indicava lógica e matematicamente que ele estava a mentir. O Detective Abreu, que ainda usava ligas nas meias, achou que o cão era um vadio e que todos aqueles objectos eram daquele.
Elegeu-se um advogado de defesa patrocinado pela liga animal. Um outro Investigador da defesa encontrou 2 suspeitos que confessaram, em troca de reabilitação, terem entrado pelo telhado, que o cão já lá estava, e o que tudo que era mau era deles, que já pertencia ao pai, à mãe, ao avó, e que julga ele na família foram sempre assim, levados do caralho.

No tribunal, o Juiz Presidente, o melhor, sentou-se (primeiro arrotou segundo creio), e ponderou, que o cão tinha toda a razão, quando disse:

Que ali ficou!

Porque só um cão pode ser assim tão fiel, ficar pobre sem ladrar, desenvolver a inteligência ao ponto de falar. Aliás como se comprovou cientificamente, o cão era na verdade um canídeo de porte rafeiro, portanto com defesas sociais intactas, e que por ser cão, não lhe parecia usar ligas nas meias, nem com possibilidade de ir ao CSI, ou simplesmente mentir por dinheiro, o que como vulgarmente se sabe os cães não usam, até a ver, por isso, com o código penal em vigor, revisto mais vezes que as páginas amarelas,

O cão está inocente!, vão todos dormir, atirou ainda o Juiz, depois de se peidar.

O cão era mais, ficar assim da mesma idade, só um ser tão leal e animal, ficou escrito pelo amanuense, num jornal local.”


Constantino Mendes Alves
Enviado por Constantino Mendes Alves em 01/08/2006
Reeditado em 01/08/2006
Código do texto: T206507
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Sobre o autor
Constantino Mendes Alves
Portugal
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