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Passeando Pela Vida

Não aguento mais ser todo dia, bom-dia,
à tarde, boa-tarde,
ver o sol nascer, quando ele aceita,
ver as mesmas manchetes dos jornais,
de políticos honestos,
de gente tão bem intencionada,
que acaba nas prisões,
ver também tanta gente inocente presa
dentro de si mesma.

Não aguento mais ver a tristeza
e ameaças de guerras,
de homens serem estrepoliados,
de virgens indispostas,
de amores desfeitos,
de irmão contra irmão,
de famílias em crises,
de bondosas mães que
perdem seus filhos
em vida.

Tudo complicado,
muito complicado.

Não aguento mais ver o meu
jardim que não floresce
nem com adubos de olhos mágicos,
nem num milagre ocasional.

Não aguento mais ver o trem, o bonde
e o avião.

Já não posso entender as coisas
pois são todas iguais:
os ricos mais ricos,
os pobres,mais pobres,
carregados pela bandeira da  minguada
carência do políticos.

Não aguento mais ver a mulher distraida, ser agredida,
ou o homem bêbado,
derrubando paredes com socos
e chorando,depois, de sua franqueza.

Não aguento mais ser ameaçado de velho,
ou confundido com criança de bala,
ou ser transformado em museu
na baila do dia,
pelos que não tem
e não sabem como ser.

Difícil, muito difícil,
pois as coisas sobrevivem sem coerência!

Não aguento mais ver os botequins de bêbados,
ver o holocausto de mentes brilhantes,
apagadas pelo ópio, que surra.

Não aguento mais ver o jovem
querer ser mais idoso
e a mulher querer ser menos mulher.

Ah! Tudo me lembra
um velho corso
de desaventurados,
que vivem em sucatas,
carregando todas
as dores
no arcado ombro.


José Kappel
Enviado por José Kappel em 01/08/2006
Código do texto: T206554
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel