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Vistosa Solidão

Fui eu um dia cavalheiro da corte:
colorido,pávido,
era sócio das comodidades,
das ausências, e dono
de várias portas.

Tinha um ombreiro de
ouro prá passar;
um pomar gotejante
de frutas doces,
e um jardim brotado
de pétulas: um
campo florido, tangente
de esperanças atadas
à minha minha vida,
que já não era mais minha
mas do povo meio aguado.

Era dono de todas as
verdades,
e de verdades nenhuma:
- e em todo reino é assim:
no pomar onde reina
mais de dois,
ele morre de
tantas ordens e desordens.

Na verdade nem dono dela
eu era.
Na verdade mesmo, o dono dela
eram três reis e uma rainha.

Fainado de dores e dúvidas
larguei minha alma pelos campos
de guerra, e fui de louros
viver
no mais longínquo alpendre
que restava na montanha -
Enfim,tudo muito porvindouro.

Dono de mim,
sempre me perguntei:
de que vale um reino
uma mulher calceteira
de homens,se,
dentro da gente,
o que só explode
é uma vistosa solidão?
José Kappel
Enviado por José Kappel em 04/08/2006
Código do texto: T208877
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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