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Andarilho

Sou parte da metade,
meio inteiro por partes,
sou andarilho corriqueiro
e não sou de carregar bandeiras.

Se arde, coloca a cura.
Se perco, chamo pelo devasso.
Sé caminha puro é relevado.
Mas olha prá trás prá descobrir
o que não vem.

Se é floresta tem sombra,
se é deserto, procuro a adega
dos mosteiros que pendem
aos ilhéus.

Se é pendular, fica convexo.
Nada mais atrai. Nem a atenção
dos senhores da terra e
das senhoras com outras pretenções.

Cura tem. é só sair de si mesmo,
voando igual bala sem jaça.
Cura tem, mas preciso é se sujeitar
ao princípio da coisa:
ser portátil e não ser volátil,
ter condizente e alar de parafina
os alados !


Se dói, dói na carne
-carne feita de ardida para
machucar.
Se não sente o pão,
não sente a vida,
se é arguto,
passeia com azedos
roliços e amargos da vida.

Se tudo é assim
parto do princípio
que a coisa começa
devagarinho
e vai matando enquanto
você ainda procura
dentro si mesmo -
o andarilho
vagante.

O próximo é meu:
do andarilho  que espera
um dia, um dia só,
ser o que nunca foi
e sonhar amargo pelo
que tentou ser.
José Kappel
Enviado por José Kappel em 04/08/2006
Código do texto: T208889
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel