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Canção de ser humilde

Pensando na humildade foi que fiz esta canção,
entoada e ritmada com o olhar dos pobres dias,
despretensiosa de resplendores e holofotes,
feito estrela bem distante e bem risonha,
daquelas que se  tem que forçar vista pra ver brilhar...

Eu fiz esta canção para a singeleza da terra molhada
e o perfume que exala do abraço da tarde com a manhã
no chão que nada cobra para trazer mensagens da chuva,
como quem se entrega  ao dominante desígnio das águas,
retendo nas entranhas o ciclo da vida em continuação...

Eu fiz esta canção ao sofrido homem do campo,
ao seu tímido e imprevisto olhar rumo à plantação,
às suas mãos tais qual adobe pelo tempo corroído,
como quem nos dá, com sua miséria, o próprio pão,
nobre, ostentando alegria ao alimento ver brotar...

Eu fiz esta canção da natureza para o tão frágil homem,
que pelo orgulho e vaidade se deixa facilmente violentar,
arrogante, a embebedar-se do poder e putrefatas vitórias,
perdendo a visão da distante e tímida estrela,
a fragrância da terra molhada,
o valor do homem pobre a lhe prover pela força das mãos...

Pensando na humildade foi que fiz esta canção,
protagonizada pelo belo não tão fácil de se enxergar,
omitido nas instâncias pequeninas, jamais exaltado...
Entoada e ritmada nos momentos hodiernos, minha utopia,
roga que alguém a perceba, ouça, aprenda um pouco,
solfeje e interprete a canção de ser humilde, ser feliz.
       
Nalva
Enviado por Nalva em 08/08/2006
Reeditado em 08/08/2006
Código do texto: T211593

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Sobre a autora
Nalva
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 49 anos
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