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discursos sóbrios



repetidamente a noite ensina a solidão

como um pranto feérico sem cor

estabelece as coordenadas do abismo.

As harmonias do silêncio do vazio da luz

fixam o olhar vitreo

e tudo se consome no arrepio solitário

Não fomos concebidos para o escuro

e toda a felicidade que se consegue nas cavaqueiras de bar

são todo o impulso do sangue, que tem cor

e só

o ferve ao dia!

As análises microcóspicas que estabeleço

ás silhuetas da nossa experiência

não são tentativas para compreender,

apenas aventuras semânticas

com o intuito do diálogo minimal

sobre as fronteiras da nossa existência,

quase certo que não serve aos outros,

mas vivo a ilusão de que ao emprestar o meu corpo poético

poderei fazer amor sobre o quase nada

com toda a gente

respondendo ao impulso avassalador

da devassa intelectual que tem como alcance

a nova geneologia da moral

arremassando o corpo nas palavras

descobrindo os outros sem redomas,

e mesmo sem réplica daquele que lê

fico criando na parede branca do imaginário

as silhuetas abertas dos outros

fazendo da noite um laboratório de uma nova gramática

em que a regra não se associe à moral inerte

A carne viva é essencial

e a minúcia do detalhe ,

o diálogo quase absurdo da nossa intuição para estabelecer a nossa fronteira com tudo

são a palavra do verbo

como reflexo do tempo

Constantino Mendes Alves
Enviado por Constantino Mendes Alves em 16/08/2006
Código do texto: T217867
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Sobre o autor
Constantino Mendes Alves
Portugal
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Constantino Mendes Alves