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Estátua

Quero fazer-me anjo de mármore:
Artista do meu próprio coração,
Frio e belo, que nunca ama
Nem pulsa, quanto mais em vão.
E deixar-me presa àquela laje
Pra que eu não vá de mão em mão
Quente e fosca à luz do sol
Em vultos e sombras à lua da lua,
Símbolo: chorando e sorrindo,
Anos e anos de póstumas recordações
Dos que se foram e me deixaram
Guardando as cinzas dos que amaram.
E sorrindo eu direi:
- Deus conforte esses pobres corações!
Infelizes que amaram, enquanto eu não amo não!

Quero que me modele o Artesão
Perfeita e bela aos olhos humanos
Feita somente para se admirar
Mas sem vida e ânimo para amar.
Que me coloquem no glorioso salão
Num pedestal de pedras preciosas
Pra ser querida e desejada
Sem ter acesso ou ser tocada,
E direi aliviada:
- Bendito seja o Artista
Que incrustou em meus pés
As pedras caras que as musas ganharam
Sem o verdadeiro amor de seus amantes!

Então gelada e pálida
Verei o arfar de dias solitários
De noites duras e silenciosas
Cansada de palavras falsas e melindrosas
Sob um sol que fere e uma chuva que lava
Todos os toques suaves de um dia qualquer
Levando o torpor e deixando as lembranças
Sabendo que o combustível é a ânsia
De pequenas alegrias e inconstâncias
E mesmo sem ar, esperanças...

Porque até mesmo as estátuas sofrem:
Na queda seus corpos se partem
E de todos os membros doentes
O que mais se estilhaça é o coração.
Maria Clara Dunck
Enviado por Maria Clara Dunck em 16/08/2006
Código do texto: T218136

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Sobre a autora
Maria Clara Dunck
Goiânia - Goiás - Brasil, 30 anos
73 textos (4624 leituras)
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Maria Clara Dunck