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PLANTANDO É QUE SE COLHE


Talvez fosse o outono com suas mãos de jardineiro
Ou fosse o vento que não mede esforços para ser forte
As ameixas às vezes querem cair
Saltam despedaçadas, doces
Vão de encontro à terra, felizes
Outra volta, outra espiral
Novas estações, recomeçar
Ou talvez seja o barulho dos canhões
Que assustam os galhos
Ou o menino jogando pedras
Para derrubá-las
Ou o riso de quem anda feliz pela vida
As ameixas estão prontas como quase nunca estamos
As sirenes avisando dos ataques
As montanhas reclamando da sujeira
As ameixeiras sorrindo seus frutos
O sol se escondendo enrolado em brumas de sangue
Talvez seja o sol do Líbano
Talvez seja o sol de Israel
Talvez seja o tempo das ameixas caírem dos galhos
Talvez seja o tempo da colheita
Ou talvez estejamos plantando bombas
Pensando que eram ameixas.




Preto Moreno
Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 19/08/2006
Reeditado em 23/08/2006
Código do texto: T220210

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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