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Bosque

Eu sei que não é o sol que raia me deixando tonta
Nem a ânsia de vômito pela doçura do alimento
Seriam então as pernas bambas pela fraqueza do corpo
Causada pelos dias e noites só lendo e escrevendo?
Eu tremo as mãos e sinto vertigem em toda alma...
E perco a visão: tudo embaça e foge violento
Porque em mim sinto as chagas várias
Sabendo que ainda existem pessoas como eu
Que lêem, vêem, matam a sede de vivência
E sentem todos os versos que poeta canta
O eu-lírico que não me entende,
O tragediógrafo que se vende.
Pois a morte a mim é o tédio
Já que não posso definitivamente morrer.
Sou filha, amiga, irmã e suicida.
Morta por cada uma de minhas próprias palavras
Que brotam molhadas a cada novo sentimento
Que são meus velhos amigos de sempre.
Se morrer eu pudesse, eu não quereria
Porque sou poeta que se faz ingênua
E a morte é só metáforas a cada voz
Pois “Tristezas tenho-as eu!”
E só matam cada veia
E eu não morro não.
Preciso viver, ó pérfida ilusão:
Há quem tem de cantar o fado...
Maria Clara Dunck
Enviado por Maria Clara Dunck em 19/08/2006
Código do texto: T220211

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Sobre a autora
Maria Clara Dunck
Goiânia - Goiás - Brasil, 30 anos
73 textos (4623 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 02/12/16 18:14)
Maria Clara Dunck