Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

DURMA-SE COM UM BARULHO DESTES...

Quem é que pode?
Responda-me, quem, meu Deus,
dormir com um barulho deste,
um zum zum entremeado,
de murmúrios, assovios e brados
de tudo o que já perdeste,
quando, desastre, deixaste –
consciente, bem o sabes,
cair o vaso mais amado,
de todos o mais cuidado,
rolar pelo chão e quebrar.
Como podes agora
e além de ti,
quem mais esperas,
que vá dar doce às feras
que estão a te devorar.
Com que covardia tão grande
E em que buraco a buscaste,
Para estar, como quem ande,
neste mundo a desfilar.
A quem pensas enganar?
Com vãs palavras proclamas
Aquilo que teu coração,
este insubordinado,
grita, de longe, coitado ,
que nada tem com teu falar.
Pede desculpas, o pobre,
por tua soberba ignorância,
pela tão falsa elegância
com que te pões a falar...
Agora, diga-me se pode
se há quem possa agüentar,
tamanha verborragia,
de tua boca, que um dia,
falava do que sentia
e hoje sente , sem falar.
Por que insistes na fala?
Por que teimas na tua lógica,
que nada explica, e não cala
um momento
para quem tem juízo falar?
Ora! Valha-me Deus!
Se precisar de versos teus
sem dúvida vou te chamar.
Mas , por favor ,
Silencia tua voz um instante,
fica muda e ouve apenas
o que, no maior dos silêncios
teu coração quer falar.
Não há lógica no sentir,
Nenhuma garantia a dar .
Nada esperes de prático,
deixa-te estar extático
para aprenderes a amar.
Permite que o silêncio
seja teu mestre, teu guia,
nada diz, nem respira,
guarda toda energia,
olha, observa, admira
o tempo que andaste à toa,
vagando da popa à proa,
sem nada, nunca encontrar.
Rompe contigo de vez,
cala as palavras e entra,
pelo silêncio adentro
como quem adentra um templo
na busca de se encontrar
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 04/06/2005
Código do texto: T22056

Copyright © 2005. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154037 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 14:37)
Débora Denadai

Site do Escritor