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Do latim compromissuum

Do latim compromissuum (18/08/06)

Eu vou morar no interior, meu Deus
Que lá eu caso e me afundo no labor.
Lá todos dizem a você que amanhã vai chover.
E chove!
Lá eu como melancia na sombra de uma árvore
Descansando às 15 horas e aos 28 graus.
Todos nos vêem no interior
Porque somos filhos do Zé
O Zé da Maria, filha do João.
Porque a vida é boa lá no interior
E a felicidade no fundo do lago nos alcança.

Na metrópole eu peno desde que aqui nasci
Porque sou filha do Asfalto, neta de Fevereiro.
Aqui eu tenho espaço pra tudo e pra quase nada,
Porque, você sabe, tempo é janeiro...
Compreendo a parte, pode crer.
Eu respiro o negro, vomitando o claro
Aqui a gente bebe pra esquecer...
Todo mundo sabe de nada,
E a ignorância é o que mais eu sei fazer.

Aqui acham que pra variar a dança
É preciso trocar o par.

São 20 horas meu bem, vem me ver
Aí eu quero estar lá no interior...
Onde nada se cobra e nem tudo se tem.
O relógio nem existe:
Dá 20 horas e você vem.
E eu digo: estou amando alguém.

Aqui na metrópole eu adoro até o cascalho
Que escapa do meu tênis no fim da tarde.
E a culpa não é das horas, meu povo
Tudo que existe é culpa de quem nada respeita
E de quem rejeita: tudo se faz resto.
Aqui nesse caos ninguém ama
Porque tudo que exala paixão demais é démodé.
O que vale é a lei da lei do tudo vale
E tudo nunca vale nada.
Mas meu celular vale um vou ali e volto já:
De ônibus.
Maria Clara Dunck
Enviado por Maria Clara Dunck em 21/08/2006
Código do texto: T221981

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Sobre a autora
Maria Clara Dunck
Goiânia - Goiás - Brasil, 30 anos
73 textos (4623 leituras)
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Maria Clara Dunck