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TERCEIRA PELE

Sensível,
quase invisível,
roçou-me sutil
até aprazer o fechar de olhares.

Frios,
quase involuntários,
suores desandaram a escorrer
sem sentido pelo corpo
passeando pela alma em pelo
pronta para o primeiro afago nu.

Macia,
quase envolvida,
alinhavou-me em fios
até tecer as bordas dos braços.

Enroscadas,
quase tropeçadas,
pernas trocam de mal, trançadas
das coxas ao solado do pé
cruzando os dedos trocados
prontas para caminhar no sono.

meu cheiro é seu
e sua essência é minha
porque moramos sob a mesma pele.

Sentida,
na seda da umidade
dos truques bifurcados da serpente,
a ponta da língua embolada
seca lençóis, escassos!

A água quente do banho
- não tão necessário –
fez um pelo sinal aos irreverentes,
enquanto ela,
silenciosa e calada,
repousa em nudez consentida.


Amanhã,
num novo arrepio,
lembraremos das espinhas adolescentes.

Amanhã,
em nova posição,
queimaremos os manuais do kama-sutra .

Amanhã,
ainda desacordados,
enxugaremos as inseparáveis toalhas felpudas

e os monogramas na pele
ressecada pelo banho.
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 06/06/2005
Código do texto: T22418
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho