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Ele,
gestado em nós,
abriu um berreiro forte
De cara, viu hipocrisia do mundo;
a fé sem camisinhas-de-pagão,
o bendito fruto acordado e dormido
sem o tédio dos que levam a vida a sério.
- para quê franzir a testa? -
Peso ou tamanho, nada importa!
Bonito é vê-lo vindo bem lento
pelos  ponteiros, parados,
se espreguiçando!


Ele,
criado em nós
andou segurando mãos.
A meio metro além do passo, tombou;
há um besouro esmagado na mão,
joelhos esfolados de tanto engatinhar
pelo chão na determinação do pouco andar.
- para quê coçar o machucado? –
Está sarado o sangrado!
Bonito é vê-lo acomodado
entre nós, presentes,
desembrulhado!

Ele,
corpo de nós,
coloriu paredes de cor.
Rabiscou desenhos horríveis, com arte;
a bicicleta, pronta pro aniversário,
descobriu a porta, o pátio, o portão,
o muro pichado com mil e um palavrões.
- para que dizer sim ao não? -
A rua é uma pedra equilibrada!
Bonito é vê-lo desajeitado
de merendeira pesada
desequilibrando-se!


Ele,
parte de nós,
deixou um só bilhete.
Andarilho, de Atlas em baixo do braço,
seja na terra ou no oceano, voltou
sem o numero do telefone, CEP ou casa
que poderiam lhe dar volta nas lembranças.
- para quê o souvenir barato? -
As estações têm jeito de chegada!
Bonito é vê-lo mais pesado,
de mochila nas costas,
um pouco magro!

Ele,
comum de nós
com os mesmos olhos esbugalhados
voltou-nos numa noite de chuva
com o mesmo temor aflito.
Ele
eterno em nós
se desculpando de tão longa ausência
voltou-nos numa noite de insônia
para, entre nós, cochilar

... com as mesmas calças curtas!
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 06/06/2005
Código do texto: T22423
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho