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OLHOS DE BORBOLETA

de olhos na janela,
antes do tempo pôr-se a andar,
ela viu o mundo aceso
as borboletas de cor
a cor do céu
o mistério

Ainda há cheiro de vaga-lumes
  desaparecendo no ar.

de olhos na janela,
antes da vida resolver acontecer,
teve medo dos defuntos
dos cravos na lapela
dos lírios na sarjeta
da cova rasa
sem gente.

Ainda há cheiro de éter no ar
mendigando claridade.

Os olhos de borboleta,
presidiários invisíveis da vidraça,
querem enxergar a liberdade
bater asas, como aplauso,
ao acaso da escuridão
do relógio que anda
desumano.

O dia ainda é um casulo:
Sábado é quase  Domingo!

Os olhos de borboleta,
libertários de qualquer confissão,
querem tentar levar consigo
todos os míseros pecados
do mundo já acordado
vestido com o véu
das beatas.
 


Ainda não é hora do sino:
Faltam dez pra seis!

Os olhos de borboleta,
depois do cochilo do sacristão,
fez um calço reforçado
com as asas e fugiu
para um chamado
bem celestial!

Coitadinha,
a borboletinha míope
foi esmagada pelo badalo cruel.

Quanta saudade de vidraça!...
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 06/06/2005
Código do texto: T22425
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho