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O que é dizível

Mas que vento vem de minha janela agora!
Bate em todo o meu corpo e escolhe a ferida:
traz do mundo o pó das ruas, das praças,
dos becos, das verdades, das esquinas...
contaminando todo meu tabernáculo de sonhos,
de rezas, palavrões, árvores, de vidas...
Ouço pela minúscula fresta o assovio dos loucos,
das sereias, dos amantes, das crianças desalmadas,
pedindo, clamando, apostando e perdendo
o sentido da vida.
Eu ouço o som do coletivo e falo em gritos.
Retas de corpos cansados;
meninos que gritam por suas bocas rasgadas,
prenhas, assassinas, pais sem famílias:
eu, eu mesma e minha imagem no espelho.
Expande-se mais a camada de areia,
tentam entrar a esbórnia e a promiscuidade,
mas já sobram a vulgaridade e o querer estar sozinha;
o restante das doenças estão todas aqui dentro,
e lá fora se estapeiam e invadem casas pelos ventos.
Que grandes janelas são as dúvidas e os desejos:
Me dizendo que a única coisa madura em mim é a estupidez.
Maria Clara Dunck
Enviado por Maria Clara Dunck em 25/08/2006
Código do texto: T225035

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Sobre a autora
Maria Clara Dunck
Goiânia - Goiás - Brasil, 30 anos
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Maria Clara Dunck