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Todos de Plantão

Não tenho mais mulher!
Mais que mulher!
Dizendo assim ao acaso,
sufocado debaixo do pano,
ninguém acredita.
Que a mulher levou tudo de mim,
tudo que foi ateiado com amor,
durante anos!

Foi tudo muito de repente:
para explicar melhor:
tínhamos tantos e tantos anos
de convivência benevolente.
Pacífica e com muitos ramos
de amor eterno, sem ser carente!

Um dia ela começou a mudar
e, eu, a não perceber.
Foi meu erro.

E dai surge um conselho
para o leitor amigo,
que de mim se apieda:
Quando ver
uma rachadura
meiando água parede
mande logo consertar
sob qualquer custo
e nada perguntar.

Não tenho mais mulher,
perdi de mão beijada,
pro mecânico da oficina dela,
que também era a minha;
mas ele optou pelo certo:
de conserto em conserto,
ele optou por ela.

O único defeito dela:
sempre gostou de mecânica-popular!

E eu fiquei a pé, e cheio de defeitos!

Acontece todo dia.
Mas acontece com os outros!

Assim fico eu sem minha mulher
querida.Coisa que a mulher armou!
sem minhas coisas amigas,
pois até o passarinho ela carregou!

Hoje triste vida!
Sou homem amargo,
não acredito mais em mulher ao largo,
e aprendi que o amor só é bom
enquanto dura,
quando acaba, começa a doer
e você, desgostoso.
passa a tomar todo dia aguardente da roça,
prá aliviar a dor latente,
que inunda sua desdida de horror!

Sou fritura!
De dois lados, pejo e largado!

Pois nesssa vida a gente não sabe
se acredita no amor
ou no que o amor pode fazer
pelos outros.
Outros que ficam de plantão
prá arruinar nosso coração.

José Kappel
Enviado por José Kappel em 27/08/2006
Código do texto: T226308
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel