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QUE DIABO DE GOVERNO TEMOS?

Da série poesia dos jornais
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Que governo é esse que endivida o nosso futuro, que compromete o amanhã dos nossos filhos; que nada nos dá no presente e néga a todos o básico, o rudimentar. Que não acaba com o serviço escravo no campo; nega a terra a quem quer plantar.
Ao jovem pouco lhe dá - e pouco lhe resta, além da ativa vida criminal, enquanto o bandido se instala no Palácio, ao lado da sala principal, e deputado atua COLHENDO PROPINA NA CÂMARA FEDERAL, COM SEUS ASSECLAS ARRECANDO MUIIIIIITO NA EMPRESA ESTATAL.

Que diabos de governo temos - que nos vende barato no leilão das almas, anos após ano, e nos engana com cesta básica, leite ralo e vale qualquer-coisa. Porque não nos dá salário pelo nosso trabalho e não nos faz independentes, resistentes e não apenas subservientes, dependentes e sem moral?

Que diabos de governo é essa que nos impõem o FMI como o novo Deus, a quem devemos reverência e obediência, em quem devemos depositar nossa fé e parte do nosso ganho, nosso sustento. Por que não exemplifica solidez, bravura, não nos planta espanto diante de tanto saque e pilhagem estrangeira?

Que governo dos diabos é a que temos - que planta favelas em cada periferia, mendigos em cada praça e os deixa incendiando-se de álcool e lástima; que larga nos semáforos crianças disputando trocados, restos, migalhas. Por que não há casa, amparo, escola, assistência?

Que governo dos diabos é o que temos - que nos impõem uma política ineficaz, incapaz de gerar empregos, de manter o camponês no campo, o pescador no mar, o índio na mata. Bem poderia, pelo menos, manter cada qual no seu canto e em cada canto alimento, sustento para não ter que migrar.

Que governo é essa que se nega a enfrentar a guerra que se trava, a guerra não declarada, a guerra surda na periferia, onde se mata por nada todo dia. Por que não planta educação, cultura e não saca a arma da literatura, das artes, do esporte e faz de cada jovem um criador.

Que governo é essa que não faz a opção certa, agora, não apressa o processo de mudança, pois o País se cansa de só ter esperança, de ansiar bonança, de esperar o nascer da criança. Por que o povo não tenta a audácia, decência, ousadia, valentia, irreverência? Por que aceita calado o descalabro?

Sabe-se que isso não é de hoje, mas não basta promessa para mudar o que é secular. Se o Brasil resiste é por ser seu povo mais forte que aparente e o País mais rico do que nos apresenta. O Governo sempre - seja quem seja, quem se sente no trono - ainda que tente, não consegue derrotar todo o povo, por mais que dele saque impostos e lhe devolva inflação, recessão, desilusão, corrupção....

O preço da luz é caro, mas sempre se vence a escuridão. Por mais que tente e sempre se tenta fazer a noite escura, o povo reinventa seu dia, renova sua alegria e refaz a arte da sobrevivência e onde há embrutecimento, faz-se solidário, onde falta governo refaz-se sobre-humano.


Dedicado a todos que ainda tem a capacidade de se inconformar com o indigno, de Célio Pires, cp-araujo@uol.com.br
Célio Pires de Araujo
Enviado por Célio Pires de Araujo em 08/06/2005
Reeditado em 21/10/2006
Código do texto: T22922

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Sobre o autor
Célio Pires de Araujo
São Paulo - São Paulo - Brasil
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