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Pedra de Dois

Parto em dois,
como argilas se dobrando.

Parto em dois,
como estrelas
se esfarelando.

Parto em dois, como
uma pão que se divide
com os mendigos.

Se sou agora é porque nem
sempre fui.
Se não, estou tentando ser.
Mas porque querem me levar?
 
Nada mais importante do que
você se pertencer e não
pertencer a nada.

Ser meio-dono,
e de nada possuir.
 
Se faina, é pesada a carga,
se pesa, arqueja, como
monges envelhecidos.
Se procura na noite
encontra
silêncio
e coisas suspeitas.

Não posso me perdoar por não ser,
se o fizesse estaria traindo a
alguém, que não sei quem seja
nem porque está lá sentada,
me observando arguta.

Fixa,
imóvel, mas com olhos penetrantes e
fundos.
 
Talvez ela queira me dizer algo.
Talvez eu não queira ouvir nada.
 
Mas a figura estranha continua a
me perseguir.

Seus olhos azuis
são nesgas do meu passado,
seu corpo envelhecido
são sombras da juventude perdida.
E ai, me rendo, como um bom soldado,
que de guerras não quer saber -
a ela dou a mão
e partimos juntos.

Ela era a morte,
eu era vida.
 
Agora somos dois mortos
prontos para uma nova vida.
E prá dizer que isso acontece
a cada segundo, me amedronta
dos pés à cabeça.
 
Se sou fruto do mundo, estou atado
aos que me perseguem e um dia,
assolam na vida e não
descansam até tirar de mim
a força que, já escassa, em mim.
como pedras prontas a se
romperem em estilhaços,
que acabam sobrevivendo como
estrelas do milagre.

Ou anjos de guarda.
Tudo muito longe,
tudo muito arguto de
compreender.

Sou fruto da vida
e chegou a hora da
colheita!

José Kappel
Enviado por José Kappel em 31/08/2006
Código do texto: T229366
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel