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Só Resta Negar

Fácil não dizer,
difícil não compreender.
Resta negar,
que os encantos
brotam ao regar
de simples estrelas.

Tal pai, tal filho,
não tenho prole,aliás,
colho simpatias e prólogos,
mas sempre retrocedo
um palmo atrás.

Sou filho passageiro
e cheio de antônios,
cruzo as avenidas
iluminadas,
atravesso palmo a palmo as
nuas cativadas.

Fui procurar onde
estava tal cidade.
Diziam que estava lá.
Mas qual! Dela nada mais existia
do que mais dois cemitérios,
uma igreja nova,
um colhedor de uvas
e um arguto provador de vinhos.

Tudo havia mudado.
Até as datas resolveram ter regado,
com novas faces
e barris relevados.

Me sequei de paixão.
Afinal, tinha passado por lá.
Dei quarenta anos
de minha infância
aos queridos daquela terra
que agora se foram
num só lance.

É fácil não dizer
mas provo o sabor do vento
e as argamassas de antigos paredões,
me solavaquei de anciãos
todos com história prá contar
e outras prá chorar.

E todos me disseram
que eu parti,
igual a um navio sem proa,
prá o adiante da vida,
só deixando prá trás
uma saia aveludada
que o tempo comeu.

E duas lembranças:
a primeira, que num certo tempo
de sol eu era esplendoroso;
a segunda, que o inverno chegou cedo demais
e me tornou hera passageira e lenta,
até glamourosa!

Prá que ligar tanto para as horas?
Qual tempo! ele foi feito sem bordas!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 01/09/2006
Código do texto: T230363
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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