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Tempestade

                   Tempestade








Percorro-te o corpo
No acolchoado cetim salmão dos nossos devaneios
A fervorosa sensualidade da tua pele
Incentiva à delicadeza das carícias
A tua voz lembra o trinar das aves
Nos prados lantejoulados de cor e luz
Onde a longínqua memória da infância,
Afirmação alegórica da pureza,
Esse estado em que as quietudes pérfidas
Ainda não macularam o pensamento
E a ingenuidade modesta e franca
Abundante acompanha
A imaginação e o sonho.


Reconstruo os encontros ciciados
Em cúmplices e curtas frases
Palavras simples,
Universos de significandos
O mel no olhar asseverando
Que os nossos peitos palpitavam em uníssono
E encostado a ti
Em mim tu sentias-te calmaria
Oceano manso de ideais benevolentes.


Idealizámos destinos com horizontes infindáveis
Nos nossos projectos não cabia o insucesso
De anormal só o tempo que insuspeito
Ao redor de nós cavava túneis corrosivos
Enfraquecendo a solidez dos alicerces
Que sustentavam a nossa construção.


Sem nos apercebermos apresentaram-nos a factura
Quiçá despreocupados não ajuizamos os prejuízos
E desfeito tombou ferido
Um idílio fragmentado e moribundo
Episódios da vida momentaneamente incompreendida.


Mas um vestígio de esperança
Como uma espiga volteando na lezíria
Germinará espontaneamente
A iluminar a madrugada de sempre.




Moisés Salgado
alestedoparaiso
Enviado por alestedoparaiso em 01/09/2006
Reeditado em 01/09/2006
Código do texto: T230482

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