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(imagem www.thousandimages.com)

ADVERTÊNCIA: DANDO UMA DE MACHADO DE ASSIS, QUE ADORAVA COLOCAR ADVERTÊNCIAS EM SEUS LIVROS, AÍ VOU EU. NEM TUDO QUE SE ESCREVE, SE ESCREVE PARA ALGUÉM OU MESMO PARA SI PRÓPRIO. QUEM ESCREVE TEM TAMBÉM UM MUNDO FORA DESSE, IMAGINA E É DISSO QUE VIVE A POESIA, A LITERATURA: DA ALMA QUE IMAGINA, COMO SE VIVESSE. ASSIM, POR FAVOR, NEM TENTEM LIGAR O QUE EU ESCREVO COMIGO OU COM QUEM QUER QUE SEJA. A MENOS QUE EU PRÓPRIA ENDEREÇE...


ANGÚSTIA ESCARLATE

               Se eu te contasse que, entre esses risos de prazer despreocupado, brota vez em quando uma angústia vermelha, quase tanto quanto o sangue que me nego a permitir que corra por minhas veias, porque teu medo te faria fugir da força com que jorram meus líquidos por todo lado? 
          
               Se eu te dissesse que essa fome carnívora que tenho de ti segue cada vez maior , como se não tivesse sido alimentada pelos teus cheiros, teus sumos e sucos quentes que invadem cada pedaço dentro e fora de mim? Que um nada, um simples nada, uma palavra sem importância, um cheiro inocente aos desavisados, uma bobagem qualquer que leva a outra e outra e depois a ti e a mim, desanda tudo e o sangue espalha-se quente pelas pernas e a temperatura sobe a mil graus e meu rosto vira uma lua escarlate?

               Se eu te contasse, em detalhes mínimos, o que fazem meus dedos, desde o mínimo até todos, distantes dos teus olhos, abrindo nascentes e rios em teu nome? E se eu te dissesse , hein? 

               Acaso serias menos cego e colocarias estrelas nos meus olhos de novo? Deixarias de lado tanta cautela e burrice pra dizer “espera aí, isso tudo é uma grande besteira”? 

               Não sei....acho que nada entendes dessa angústia escarlate, da minha fome vampira, do tempo que passa e não volta nunca mais, dos ônibus que podem não passar duas vezes pelo teu ponto,  dos meus dedos que buscam sozinhos o que já achamos juntos tantas vezes... Não. Você ainda está muito cor-de-rosa pra entender de vermelhos e escarlates...Leva tempo.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 02/09/2006
Código do texto: T231131

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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