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Bato Pé

Bato pé,
bato canela,
moelo os pobres,
canso dos ricos,
bato pé,
arredo medos,
mas chegando de perto
é tudo azedo!
 
Não por ser assim,
asssim seria fácil,
difícil é não ser
tão indiferente
diante das coisas
que chegam e vão
e diante das coisas
que resolveram ficar
prá sempre:
a contra-pé, a contra-gosto!

Difícil é isso. Coisas de capitão!

Tenho um pé de limão,
dois bruços de deitado,
farinha de rosca,
aguardente caseiro,
mas tudo em vão.

Se sou assim,
só me arrependo do vozerio
pois nada mais compreendo.
Se fui criado aprendendo,
cresci sem entender,
nem qualquer sensação
até como se faz o pão!
que bordeia meu quintal,
que me faz sonhar igual alemão!
 
Já não sei entender
as coisas,
como um bordão
clareado.

Me chovem
perguntas
e só obtenho argutos
e rarefeitos perdões.
Não foi sempre que fui
assim: sério, indisposto,
e sempre perguntando
se existe outra parte de mim.
 
Se existe deve estar
tão próxima que não vejo;
se existe, dorme comigo
e nem sequer almejo.

Parte de mim se perdeu
nesta confusão que todo
mundo faz:
pega bonde,larga bonde.

Eu procuro a paz.
 
Mas já dei procuração
de anseios a todos sentinelas.

- Aqueles que cantam vinténs
sob minha janela, procurando a paz.
 
Mas que paz !

Paz não existe.
E se existisse todo
mundo tava querendo
emprestado.

Hoje, cansado e insone
só vejo as coisas passarem.
Mas só me prende uma pergunta:
porquê, porque sou de campos
magros
sozinho e árido?
 
Mas essa música eu
já conheço:
é prá fazer criança
grande dormir
sem alento!


José Kappel
Enviado por José Kappel em 03/09/2006
Código do texto: T231486
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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