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Pedra de Orvalho

Muito melhor, Aparecida,
muito melhor Dom José e
Arcada das Dores.
Assim, fica muito melhor,
vocês lá e eu aqui.

Não é questão de preconceito
ou assunto para se discutir
na Vara dos Costumes.

Pedra quando nasce pedra
vira mais pedra,
mas o jovem quando fica jovem
já parte lá prá dentro
- algures -disse alguém,
pra dentro do tempo.

Dito isso e de conformes
com o destino de cada um;
cada um pega um pedaço da
vida e vai com ela passear.

Na minha terra tem campos
e montanhas,
vastas aranhas, duros pernilongos,
alvíssaras rainhas de flores,
e um bordéu
onde mulheres vasculham
a pobre noite
numa caça sem destino.

É meio duro ser pedaço de vida,
meio aqui, meio lá,
convivendo com vícios
passageiros e mulheres
de corrimão.

De bobo ninguém tem nada,
cada um quer um pouco
e o que sobrar
fica pro povo.

O povo é também meio
asculto,
segue como manada
por quem chamar primeiro.

E como todos viram a novela de ontem,
o jornal também falado,
a moratória dos príncipes,
os governos abobalhados,
os políticos aparveados,
e a gritaria pela cantora,
E como todos viram de esmeio,
e amarrotados,
os mortos de ontem
serem sepultados hoje.

Dito isso,

Visto meu casaco meio
de marrom à preto
pego meu cachimbo;
Mando um beijo prá quem
me deixou
E atiro o primeiro
tiro
no que de resto
sobrou de mim.

José Kappel
Enviado por José Kappel em 05/09/2006
Código do texto: T233140
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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