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Fadas de Branco

Sou de paz e de muita segurança, moro em qualquer vila,
só uso branco;
Sou de muita paz e esperança;
Mas amor não tenho, o perdi - não sei - são ranços!

Vivo sozinho, sou empreiteiro dos vazios,
Mas quando corro, sempre procuro a vez das platinagens.
Quando procuro, não acho nada igual a ameixas,
Mas até hoje ninguém teve queixa.

Só um amor de longe
veio uma vez me buscar
estava cansada e de cabelos brancos
tinha a mão pesada de carregar filhos.

Tive pena, a larguei só em reconquistar,suponho,
Pois não podia suportar esta larga dor
de antanhos!

Mas sou especial porque não tenho nada,
nem árvore de Natal supus que me presenteariam!
Mas que nada, o que veio bem lacrado foi
minha conta de luz - e só tenho duas!

Uma que ilumina minha vez,
outra que saboreia minha alma de tanto não crer!

Sou de paz e camareiro,
não sou uso e fruto;
não tenho heranças
e renitentes esperanças.

Ocupo um cargo importante na minha vila
sou charreteiro dos senhores de posse própria.
Desfilo orgulhoso pelas avenidas
e parques infantis;
tomo sorverte de creme de entalho
e às vezes - quando ninguém vê -
vou para o escorrega encaracolar!

Sou respeitado, mas descuidado com a vida,
Pois dela não me deu muita coisa querida!

Ao contrário, me tiraram o pouco que sei;
vou perdendo a memória de lembranças de grande
importância comunitária:
vou esquecendo as coisas, os nomes e até
que mundo alvíssoro que vivo,
e e tudo sempre ao contrário.

Perdoar, perdoar, até hoje ninguém perdoou.
Ao contrário, sou sempre culpado de alguma coisa
quando surge um fato arredio e de pouca graça como um perdido
velho chapéu,
- ou até quando alguém sai ferido -
Lá chamam o cocheiro:
Pinho gasto e meio roceiro!
- Você, você o grande culpeiro!

E todos dizem : é ele....é ele, que não tem nada!
Só pode ser ele que perdeu tudo!
Só pode ser o cocheiro - e me apontam -
o culpado de todas as coisas do mundo!
E esse culpado logo se apronta!

Mas não ligo não. Sou homem feito
de grandes e pesquenas dores,
uma mistura bem complicada
que fazem desmaiar de branco até todas as cores!

E assim levo minha vida na velha província
Um dia sim, outro não.
Diz a ovelha desgarrada!
Come pelo menos um pão
E de pouco fique zangado.

Se sou vazio e de cor lapidada,mais de alma pura,
só almejo um dia perfilar meu dorso,
na pedra fria e dizer para os que me ouvem:
Vê, fui embora, mas vou feliz, deixo vocês,
E vou morar com minha fada madrinha
Num reino encantado e doce.

José Kappel
Enviado por José Kappel em 05/09/2006
Código do texto: T233176
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel