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Dança com Izabela

zero que
tráz.
zero
que leva.

nesta vida
de barro
só encontro
o vesgo
da pedra,
os riscos
de pó
da brita,
que na multidão
de ar,
solavancam
e fazem
danças.

dançam
o misterioso
ritmo
do acaso:

se der,
se não der,
não erro,
ela sempre
está
lá.

vida que vai
vida que vem.

sou simples
daqui.

mas
um dia encontro
ela
vestida
de vermelho,
bem da cor
da minha terra.

banhada pelo
leito
de barro
que cobre a
estrada
de pó,
sem muita
paisagem,
nem muito cara.

fui barro
andante,
das horas
e ânsia
de procura
do tempo.

encontrei
muito pó
e saibro:
cós nas
pedras
rendadas
de argos
gritos.

fui neste
caminho
pra esquecer
dela,
e achei
este cantinho,
todo bruto,
na face da terra.

fui
perseguir
meu tempo
sem revés
e sem vento.

fui tentar
me achar
dentro
das rachas
de pedras
dos pós
de brita.

perto das
áridas
pedras
me achei.

eu era um
pária
de ocasião,
fazendo festa
de tristeza.

onde lá perdi
meu rincão
de flores.

onde
morava
para
sempre
minha pobre
izabella.

foi assim
toda
minha vida.

um dia
ficava com
ela,
noutro,
brigava com
a saudade.

até que
o destino
partiu
com ela,
e me deixou
igual mangas
à revelia
e desbotadas,
abanado por
mãos
esquecidas.

mas me encontro,
um dia
eu encontro,
e faço
dela
um novo começo.

se izabella
é de vir,
será flor,
se não for,
apenas
canteiro
sem jasmins
de dor,
no meu jardim
já sem sol.

bem perto:
onde os homens
chamam de
lápide fria,
vazias almas
de algum
deserto.
José Kappel
Enviado por José Kappel em 06/09/2006
Código do texto: T233833
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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