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APRENDE A AMAR O AMOR

Aprende a amar o amor,
que ele não te dará outra escolha.
Mas deves antes lembrar-te
que ele voa, qual folha,
entre vales de sol e neve,
que corre solto pelos sulcos
das estradas por que segues;
que pulsa vivo e ardente
sob a noite faz-se quente.
Agarra-se às árvores
e impregna o ambiente
com o odor que mais  lhe agrada,
que é sempre o da tua amada.
De nada te adianta
tentar espantá-lo
como quem manda embora
um mau pensamento:
terás que escutá-lo!
E ele fala uma língua forte, vibrante,
e suave e doce ao mesmo tempo,
de tímidos pedidos
e falas imperativas.
Não gastes com ele tua saliva,
nem te valem gestos duros
ou cenhos franzidos:
terás que dar-lhe abrigo!
O amor tem ares de patrão,
tuas desculpas não lhe abrandam o temperamento.
Quebra vasos e rompe geleiras
e de nada vale dizer-lhe que o recusas:
terás que abrigar-lhe a contento!
Suas respostas são cheias de sutileza
e guardam certo refinamento;
tem argumentos de filósofo,
mas fala com voz feminina.
De nada te valerão
a ciência dos homens
ou a sabedoria divina.
Nele porás tua fé.
Te venda os olhos
com finos panos de seda
e tu, sem perceber,
mais que depressa, as aceita.
Ele te estenderá um braço amigo
e dele não saberás fugir.
Sairá andando à tua frente,
e enfeitiçado, irás,
sem saber aonde ir,
ainda que no fundo saibas,
que por destino, azar ou sorte,
isso só acaba na morte.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 09/06/2005
Código do texto: T23435

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154036 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 19:31)
Débora Denadai

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