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A SINA DE TINA PORFINA - O SUSTENTO DA CAFETINA

O SUSTENTO DA CAFETINA (Cena II) - A SINA DE TINA PORFINA

Triste Sina!
Dura Rotina
Cujo sorriso azucrina
E sustenta a Cafetina

Triste Sina!
Sem a mãe, fica orfã a bambina
E logo é adotada pela Geraldina
Famosa por exploração feminina
Logo cedo, foi parar na esquina.

Triste Sina!
Pequena já esmola a tal menina
Remelas na face por dura rotina
Com um não a pedinte desatina
Chora por moedas e se amofina.

Triste Sina!
Desde criança era dela a faxina
Tão puro, seu olhar de bailarina
Breve verá o que se lhe destina
Na esquina a vida se descortina.

Triste Sina!
Geraldina, Cafetina, vulgo Dina
Com jeito de mulher nordestina
De tanto sofrer na noite sulina
A vida da rua ela agora ensina.

Triste Sina!
Dina que fora na vida libertina
Tinha pacto oficial em surdina
Pra manter pontos de esquina
Os "Alibãs" lhe pediam propina.

Triste Sina!
Dina que toda vida fora sovina
Por "Aqüé" como besta alucina
Nunca aceita desculpa cretina
Queria todo o dinheiro da Tina.

Triste Sina!
Vá ganhar a vida, anda menina!
Ordenava aos brados Geraldina
Gritando com sua voz bem fina:
Traga sua bolsa cheia de quina!

Triste Sina!
Após duro dia, cheiro de creolina,
Salto alto, saia justa e purpurina!
Mas, sua canela fina não fascina
À noite a rejeitam, é clandestina.

Triste Sina!
Tina com o sorriso azucrina Dina:
Banho? Fique suja, na fedentina!
Não trouxe quina, limpe a latrina
Sobremesa? Nem terá tangerina!

Triste Sina!
Dina não se conforma, se obstina
Profere o seu ultimátum de ferina:
Traga grana para pagar a propina
Ou vai para a rua vender cocaína.

Triste Sina!
Tina teme as ameaças da Cafetina
Ora pra ter sucesso como libertina
Antes ser alma errante da esquina
Do que viver esta outra triste sina.

Triste Sina!
Uma santa passante, sem doutrina
Ouviu as preces daquela messalina
Em rápida visão, com voz cristalina
Disse: - A sorte estará na jogatina!


Triste Sina!
Canela Fina
Pouca sorte na esquina
Compensada na jogatina.



Aguardem, pois em breve voltarei a falar sobre esta sina:

A SORTE NA JOGATINA (Cena III) - A SINA DE TINA PORFINA


Se ainda não leu, aproveite para ler também:

- A VIDA DE TINA PORFINA (Publicado em 28/05/06)

- O SONHO DE COLOMBINA (Cena I) - A SINA DE TINA PORFINA (Publicado em 11/06/06)
Aldo Lopes
Enviado por Aldo Lopes em 08/09/2006
Reeditado em 13/09/2006
Código do texto: T235594

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Sobre o autor
Aldo Lopes
São Paulo - São Paulo - Brasil, 60 anos
416 textos (37922 leituras)
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Aldo Lopes