Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

ENQUANTO NÃO SOMOS "NÓS"

De ti, meu corpo se ausenta,
gota a gota,
vai-se o meu rosto
 num quadro de cores gastas,
e com eles, minhas mãos,
que em beijo tocam-me a boca,
foram-se meus pés
em dois grãos de areia
sob meus passos.
Te foste inteiro.
E tudo se nos escapa.
Vai-se minha voz
que te canta ao ouvido todo o tempo
enquanto não somos nós.
Vão-se meus gestos
que devaneiam'em ondas
diante dos teus olhos sós.
E vai-se de ti meu olhar
que entrega, quando te fita,
o rio, a noite e a tua alma,
e esta saudade aflita.
Vou-me de ti no teu hálito,
e como o suor do teu corpo, me evaporo.
Vou-me de ti, acordado ou em sonho,
e por isso, tantas vezes choro.
E assim vejo-me ser apagada
de tua mais fiel lembrança,
mas assim, teimosa, apaixonada,
é que retorno à tua memória
como não nascida criança,
as que nunca se vão embora.
Volto a ti como se teu sangue fosse,
na tua boca, de volta, um gosto doce,
nas tuas entranhas que me pressentem,
e no gosto que volta e volta à tua boca,
e na negra noite, em paixão louca...
Volto a ti, conquanto me vá.
E voltamos a ser “nós”,
a cada gota.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 10/06/2005
Código do texto: T23720

Copyright © 2005. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154026 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 14:37)
Débora Denadai

Site do Escritor